outras recordações

quarta-feira

27 de Janeiro de 2010;,

  * Não postei nada ontem porque não achei que tivesse necessidade. Foi um dia calmo, normal. *

   "Veja o sol dessa manhã tão cinza; a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos."

   Dias chuvosos são tão escuros, saí de casa com um certo receio hoje. No caminho à parada de ônibus uma fina garoa caía sobre meu guarda-chuva e fazia um barulho quase imperceptível. O bom em andar de ônibus é que você tem tempo para pensar em tudo; absolutamente tudo (mesmo que a maior parte dos meus pensamentos estejam sempre ligados à Mick); voei para longe com Satellite Heart.  
  
   A manhã passou lentamente, mas enfim terminou. Agora teria toda a tarde só (socorro). Eu até que gosto de ficar em casa, mas não quando estou sozinha. Mal terminei de almoçar e fui olhar televisão, ela fez parecer que a casa não está tão vazia. Logo, peguei no sono.

  Acordei com barulho no portão, minha família já havia chegado em casa. Então, tecnicamente, passavam das seis da tarde.

segunda-feira

Janeiro 24 e 25 de 2010;

   Acordei com um 'te amo' baixinho e braços envolvendo meu corpo, éramos dois e ao mesmo tempo um só. Abraços quentes e beijos extremamente sedutores completaram aquele final de manhã. Como pode, um dia parece se transformar em semanas, semanas em meses ou até mesmo anos, eu realmente não sei o que seria de mim hoje se ele não estivesse aqui, tão perto. Tudo nele me atrai, me faz querê-lo mais e mais. Desde um simples carinho até ao olhar mais indescente. Everything, everything. Quando disse que tínhamos de levantar, pois já era mais de uma da tarde ele (jogando sujo, pra variar), como não queria, começou com os 'vem cá', tenatava sair, mas ele me puxava de volta e nos beijávamos. Tudo nele, e principalmente na parte da manhã, é tentador, diífil dizer não aos seus pedidos. Só saímos da cama porque todos já haviam levantado, tínhamos de nos arrumar para sair.
   Pegamos o ônibus, mas ele ficou tinha que ir para casa. Ter de deixá-lo está se tornando cada vez mais difícil. Eu não consigo aceitar o fato de que temos outras tarefas a cumprir, em minha cabeça toca apenas uma música: Mick, Mick. Minhas manhãs mais lindas vindo para o trabalho, as noites amanhecidas que valeram a pena foram com ele, ele, ele. É nele que estou pensando quando acordo, nele que penso quando pego no sono. Da noite pro dia esse Mick que pra mim não era nada transformou-se em meu mundo. Agora nada faz sentido se eu não o tiver, e isso é assustadoramente incontrolável.
   A Gabi desceu na casa do Lê com ele, eu e Sú seguimos para a casa da minha vó. Quando chegamos lá almoçamos (isso já eram mais de duas horas) e fomos até a casa da Sú para ela trocar de roupa e largar suas coisas. Ficamos algum tempo jogando GTA S/A no computador depois  voltamos para a casa da minha vó. No caminho ela disse que não estava se sentindo bem e que voltaria pra sua casa. Com isso, nem passei na casa da vó, segui direto para casa. Chegando lá liguei para o meu celular que havia ficado no bolso da calça de Mick quando peguei o ônibus, ele atendeu, mas desligou (?)... Conectei-me a internet e consegui falar com ele. Marcamos dele vir aqui em casa para fazer a tatuagem da minha mãe hoje, antes que ela desista. Ele disse que viria, então eu esperei.
   Confesso que quando ele disse que viria comecei a ficar impaciente, agora as horas arrastavam-se. E ele demorou... mas chegou. Ah, como é bom tê-lo aqui bem ao meu lado, poder apertá-lo forte e beijá-lo muito. Ele estava em casa, praticamente. Veio de bermuda e chinelo de dedos; tão lindo... Bastava olhá-lo pra ter certeza de que está tudo bem, agora está sim.
   Arrumamos as coisas para fazer a tatuagem e quando tudo já estava pronto deitamos um pouco para curtimos um ao outro. Ele estava extremamente carinhoso. Lembro dele dizer 'já estava com saudades', tudo nele era simplismente fascinante.
   Começamos tarde a tatuagem já passava das onze horas. Lá pela metade dela minha mãe perguntou: 'Michael, tu não vai ir embora hoje né?', virei em dentes. Ele disse não saber, então ela o convidou para ficar (vivaaa). Após muitas xícaras de café, beijos e risadas terminamos. Ficou linda! Perfeita. Minha mãe amou. Guardamos tudo e nos preparamos para deitar. Todos os dias levanto cinco e meia da manhã, e já eram três e meia. Ao invés de dormir preferimos ficar acordados e passar aquelas horas juntos. Foi um lindo resto de manhã de amor... até que minha mãe entrou no quarto dizendo: 'Kamila, oh! (uma pausa constrangedora)... são seis horas! (sendo que eram recém cinco e meia e que nós dois estávamos acordados, aliás, nem dormimos)', loser! Momento vergonhoso e de muitas risadas.
   Levantamos ainda rindo e fomos tomar banho. O Mick quando tem algum compromisso se transforma num completo chato. Apressa a gente e faz parecer que estou sempre atrasada. Tomamos café (melhor café da semana) e descobri que além de ser chato tem manias estranhas. Uma delas é que, eu geralmente faço barulho tomando café, ele odeia isso. Ainda bem que eu gosto de provocá-lo (rs). Hoje a manhã estava escura, parecia que ia chover. Na parada ele 'farejou (literalmente)' algum cheiro. Então vimos o bar ao lado abrindo, era o cheiro dos pastéis de lá. Ele perguntou algo como 'é cheiro de comida?' e acho que respondi que sim, e parecia pastel. Não precisou de mais nada, seguiu em diração ao bar decidido. Compramos uma para cada um, e logo o ônibus chegou. Chegamos no centro cedo, então caminhamos devagar curtindo cada minuto juntos. Agora as nuvens haviam ido embora e um sol tímido parecia mostrar-se. Que manhã...!
   Chegávamos perto do meu trabalho, logo ele teria que ir. Essa despedida foi (muito) melhor do que as outras, geralmente ficamos nos olhando, sem saber bem o que fazer ou falar; desta vez ele chegou pertinho, levou suas mãos até meu rosto, beijou-me e foi-se. Eu sentia o chão, mas agora pareia não tocá-lo mais.
   No trabalho foi tudo normal, mesmo não vindo sexts não serei despedida (viva), pelo contrário, até recebi elogios pelo meu desempenho. Vai entender... A manhã arrastou-se, mas chegou ao fim, fui para casa. Lembro de acordar na minha parada, desci correndo. e o resto da terde tirei para dormir.
   Quando acordei o sol já havia sumido, a noite ganhara seu lugar. Mas só levantei porque estava com muita fome; precisava comer alguma coisa. Tomei um café e acabei comendo apenas um pão; tomei um banho e fui ver se encontrava o Mick pelo orkut ou MSN, nada... Resolvi arrumar meu brechó, já faz algum tempo que estou enrolando e nunca o atualizo. 'Farei isso agora', pensei. E fui até quase duas da manhã arrumando-o. Quando fui sair, que já estava com muito sono novamente, Mick mandou-me um 'Oi'; justo a essa hora (grrr)! Trocamos meia dúzia de palavras e tive de dizer tchau (aperto no peito).
  
   Falando em aperto no peito, ontem quando estávamos deitados em minha cama Mick perguntou se eu estava com um aperto no peito, estranhamente, sim eu estava. Perguntei 'Por que?' e ele respondeu: 'Porque eu também estou.', não sei se cheguei a comentar, mas Mick às vezes parece ter super-poderes³ (não riam), é sério.

   Fui deitar, fiquei pensando no Mick e logo peguei no sono.

sábado

23 de Janeiro de 2010;

   Dia calmo, parado e quente. Acordei já na hora do almoço e como de costume, fui a Porto Alegre efetuar as trocas de meu brechó (http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=14780157780398199700). Caminhei até o ponto de ônibus que fica no final da rua, meus cabelos ainda estavam molhados e ajudavam a refrescar essa caminhada abaixo do sol quente da uma hora. Embarquei no ônibus em direção a estação de trem. No caminho todo a única música que ecoava na minha cabeça era: Mick. Todo aquele desespero havia voltado, eu não sabia quando o veria de novo, se eu poderia vê-lo (graças ao novo castigo que ganhei)... aquele buraco dentro de mim aumentava de acordo com o inquietude. Eu queria vê-lo, e agora. Sentir o cheiro de seus cabelos, da sua roupa, suas mãos brincando em meus cabelos, qualquer coisa! Mas isso não passavam apenas de desejos... Que sabe-se lá quando seriam saciados. Cheguei na estação de trem num piscar de olhos, interti-me tanto com minhas frustrações que nem senti o tempo passar. Já sentada num dos últimos vagões do trem, afundada em pensamentos raivosos, camuflada com meus óculos escuros (de invisibilidade, como ele diz) pensei: 'Agora já foi! Dane-se!', e baseada nessa frase programei o resto do meu dia.
   Já quase na Renner minhas mãe me liga... estava tão mais calma que até achei estranho. Avistei as meninas com as quais faria as trocas e fui ao seu encontro; trocamos. Naquele tumulto (e é sempre assim todo sábado) conheci uma garota incrível, cujo nome não sei dizer (acho que sequer perguntei). Ela tinha um alargador em sua orelha direita muito lindo e delicado; ela perguntou se eu gostava ou se tinha vontade de colocar um, respondi afirmativamente às duas perguntas. Muito interessada perguntou se eu teria coragem de colocar ali, agora. Confesso que já fazia algum tempo que pensava em colocar um, mas o medo sempre falou mais alto. Dessa vez não, nem pensei! Só sacudi a cabeça positivamente. 'Vem comigo!', ela disse. E lá fomos nós comprar dois alargadores iniciais em uma loja cheia de bujigangas. Não eram caros e tinha apenas um par (parecia planejado...); comprei. Fomos até sua casa onde sentei em uma cadeira em frente a um espelhinho. Ela colocou algo em minha orelha que refrescou e logo tratou de colocar o alargador. Nossa, que dor. Lembro de sentir lágrimas caindo de meus olhos. Quando me olhei no espelho nem acreditei! Estava de alargador!! Ficou tão lindo... ele é rosa pink (juro que tinha só este par) formato aspiral em acrílico. Lindo! Estava tão feliz (e com uma dor de cabeça tremenda) até chegar em casa... minha mãe notou na hora, pelo menos só disse que estava horrível, não me fez o tirar (pelo menos não agora, rs). Meu irmão de sete anos adorou! Disse que também iria colocar um amanhã... crianças.
   Mais tarde Suélem, minha prima, me telefonou, disse que estava sem nada pra fazer então a convidei para fazermos nada juntas pois em casa estava um tédio total. Quando ela chegou ligamos para a minha outra prima, Gabriela (sempre juntas), e a convidamos pra fazer nada conosco também; afinal, seria tão divertido e tanto foi que Sú resolveu posar lá em casa.
   Quando a Gabi chegou já mudamos de planos, agora íamos todas ir para a casa da Gabi ou, se desse, sairímamos. Após inúmeros 'contatos' e trocas de roupas decidimos ir para a casa do namorado da Gabi, o Lê, dançar, comer sorvete e falar besteiras. Ele chegou para nos buscar uma da manhã... óbvio que cedo não voltaríamos, tratei de contatar o Mick para participar da 'junção'. Ele disse que talvez fosse, mas seria bem mais tarde. Desanimada, disse que tudo bem (ia dizer o quê?)
   Enquanto a Sú dormia na rede, os rapazes (e o menininho Gabi) ensaiavam eu não parava de pensar no Mick. Liguei. Ele disse que estava vindo, pegou o endereço e tudo (feito!). Para nos acharem eu e o Renan tivemos de ir até a esquina e ficar como aqueles jões bobos de posto de gasolina... Ver ele saindo do carro e vir ao meu encontro (já me pegando no colo) foi incrível, por isso eu fico ansiosa quando não o vejo, por isso que eu sempre quero tê-lo por perto, por isso que eu o amo tanto. Voltamos à casa do Lê e continuamos fazendo a mesmas coisas, mas agora meu mundo estava completo, agora estava em paz.
   Quando íamos voltando para a casa da Gabi, o Mick lembrou que estava sem chave... fomos todos pra casa da Gabi (vivaa). Ia tê-lo por mais algumas horas. Ficamos no quarto do meu primo, o qual estava dormindo na cama de sua mãe; agora sim, meu, meu, meu!

sexta-feira

22 de Janeiro de 2010;

   Cheguei na casa do Mick quase duas da madrugada (ler post anterior), o taxista foi legal e deu desconto de 4$! Entrei no escritório o qual ele me apontou; coração a mil, saudade tão perversa de dar vontade de arrancar um pedaço dele! Entrei e quando vi lá sentado na mesa de um dos computadores estava o chefe dele (melhor impossível!). Perdi completamente a vontade de ficar acordada; nem cheguei a beijar Mick direito, larguei minhas coisas em cima de uma almofada e ali já fiquei também, enquanto os dois trabalhavam... Escorei a cabeça, adormeci. Meu corpo parecia flutuar, estava exausta! Senti algo me tocando, acordei, era Mick, pegou minhas coisas e disse para ir com ele. Fomos para a peça ao lado, onde ele reside. Não passava mais nada na minha cabeça a não ser: cama (e Mick). Não deitei, diria que caí na cama e dali não saía mais. Logo ele veio se chegando, preenchendo a parte de mim que tanto me fez falta durante todos esses dias. Fiquei completamente envolvida por seus braços, sentí-lo tão perto é uma sensação inexplicável. Seus lábios tocaram os meus suavemente enquanto seus dedos passeacam em meio aos meus cabelos. Agora estava tudo bem. Senti seu corpo se afastar, quando notei ele estava em pé dizendo que já voltava (tudo pra ajudar). Ouvi a porta fechar, 'deve ter ido terminar alguma coisa', pensei. Esperei... acabei adormecendo. Pareceu-me ter passado pouco tempo, ouvi Mick me chamando baixo. Achei que estava sonhando, mas derrepente suas mãos já me envolviam. Abri os olhos e ele estava deitado ao meu lado, havia voltado e agora ficaria comigo. Eu não sei se essa é a melhor maneira de explicar, mas internamente aquele momento mostrou o quanto eu precisava dele agora. Toda aquela angústia, inquietude que vinha hora ou outra em variadas frequências desaparecia quando eu estava em seus braços. Eu estava em paz.
   Antes de dormirmos lembro de colocar o relógio para despertar às cinco e meia da manhã para poder me arrumar tranquila para ir para o trabalho e colocá-lo ao lado da cama. O único problema foi que eu não lembro de sequer ter escutado ele despertar. Eu tinha que ter ido tralbalhar e acabei dormindo até o meio-dia com uma ligação da minha mãe, sendo que minha carga horária vai das sete à uma. Saímos correndo, arrumando tudo meia-boca. Estava desgostosa comigo mesma, com rupgno de minha própria face. Como pude deixar isso acontecer?! Que irresponsabilidade!
   Chegando em casa tentei diversas vezes ligar pro meu trabalho na esperança de acertar tudo com a chefia. Infelizmente, nada. Ninguém atendeu todas as vezes que liguei. É, hoje o dia começou ruim. Mas terminaria pior com certeza, minha mãe chegaria só no fim da tarde em casa e teria muitas coisas a me dizer. Dito e feito, chegou e eu escutei (muito, e quieta).
   Além da lição de moral e baixa na auto-estima ainda ganhei um castigo de brinde (viva!).

quinta-feira

21 de Janeiro de 2010;


   Embalado por sonhos, assim foi o caminho até o trabalho! Despertei na hora certa: uma parada antes da minha. Ufa! Isso está ficando perigoso, mas é impossível resistir ao embalar do ônibus. Desci e segui, como de costume, em direção à passarela. Perto dela há um relógio grotesco, o qual mostrou-me que estava adiantada. Já no meio da passarela, resolvi utilizar esses meus minutos para observar a cidade de cima e deixar meus pensamentos voarem longe com Estranged. O sol nascia a minha esquerda e seus primeiros raios tímidos penetravam por entre as nuvens; era o início de um novo dia. A música havia mudado, era hora de seguir.
   Minha colega, Grazi, a qual divide todas as manhãs comigo não havia chego ainda, pensei: 'Deve estar preparando nosso café.'; combinamos de revesar a leva do mesmo, assim supriamos nosso cansaço e as depesas eram igual pras duas. Já na metade da manhã, fui avisada de que ela não iria hoje.
   O resto da manhã (e uma boa parte da tarde) passei em treinamento, lá em Porto Alegre.


   Cheguei em casa por volta das sete horas da noite, lembro de falar alguma coisa com Mick e depois ir desenhar. Quando estava desenhando, ele me ligou. Ficamos um bom tempo no telefone de novo, sem falar alguma coisa que realmente importasse. Hoje estava calma, meu mundo voltava a girar, já sentia a terra sob meus pés. As nuvens escuras que pairavam meus pensamentos cada vez mais transformavam-se em névoas. O desenho ficou inacabado pois já havia começado meu programa de televisão favorito. Logo depois que ele terminou comecei a me arrumar para mais algumas horas de trabalho, mas desta vez no bar. Quem sabe, talvez, fosse para a casa do Mick no final da festa.
   Como não haviam muitas pessoas na fila para entrar na casa abrimos à meia-noite. Até esse horário minha distração foi o Samuel e suas músicas. Fiquei apenas uma hora e meia na festa; fui pra casa do Mick.
   Não devia ter ido...

quarta-feira

20 de Janeiro de 2010;  


   Hoje o sol não apareceu e o céu está escuro, parece fim de tarde. Na vinda para o trabalho adormeci no ônibus (agora tenho mais uma coisa pra compartilhar minhas horas de sono: meu Diário, parfait!). Atravessei a passarela sentindo uma garoa leve embalada pelo ar fresco, a chuva de ontem trouxe um friozinho gostoso, estou até de casaco! Bom seria poder ficar em casa, olhar um filme com pipocas (e o Mick), mas estou aqui, trabalhando (viva).

   As horas arrastam-se... que manhã longa! Não suporto ficar ansiosa e hoje ainda marquei de ver a Renata para conversarmos (mais ansiosa ainda), que agonia.

   O dia continuou assim, devagar... O sol não apareceu dando espaço pra nuvens escuras e choronas. Passei a manhã toda a escutar minha lista de reprodução Depressive, pra combinar com meu humor catastrófico. Ultimamente não sinto muita fome, estou comendo bem pouco, também não sinto vontade de fazer muitas coisas além de desenhar e postar meu dia-a-dia aqui. Com esse friozinho e meu super humor, a opção mais viável que achei foi dormir a tarde toda... e foi o que fiz até acordar com a ligação da Renata, dizendo que não poderia sair essa noite (havia convidado ela pra fazer algo, apostando que isso salvaria meu dia). Logo que ela desligou o desespero misturado com a sensação de solidão (sozinha em casa e sem notícias do Mick há alguns dias) bateu forte. Confesso ter deixado cair algumas lágrimas enquanto escutava Here I am, logo peguei no sono de novo.
  Desta vez acordei sozinha, sem ajuda de nenhum telefonema ou pesadelo. Meu telefone ainda tocava alguma música que não recordo; desliguei. Com a cabeça sobreposta em MJ (meu urso de pelúcia) comecei a pensar no Mick e de como estávamos estranhos; não demorou mais que meio segundo tocou o telefone, interrompendo meu momento de amargura. Atendi; era Mick. Com uma voz tranquila e alegre. não estávamos estranhos, eu estava. Lembro dele ter dito 'Oi' e 'ligo mais tarde' (?). Desliguei o telefone e fui tomar um banho, lavar os pensamentos.

  Mais a noite o Junior pediu-me um favor (o qual seria imoral revelar aqui) e eu disse sim. Ele veio aqui em casa lá por volta das dez da noite. Logo que ele chegou Mick me ligou; normal. Eu já estava melhor também. Conversamos sobre tudo, muito tempo. Acho que isso é uma coisa que o faz tão interessante: saber que posso contar tudo a ele. Coitado do Junior, teve que esperar ele desligar para voltarmos a fazer o que estávamos fazendo (o favor); enquanto isso ficou na internet, navegando.
2 Soñadores;
  '(...) Por todo o tempo eles vivenciam uma paixão mútua e isolam-se totalmente do mundo, distanciando-se completamente do contexto conturbado' (sinopse).



  Éramos três (Mick, eu, Anna) inseparáveis amigos de uma intimidade e desejos fora do comum. Sempre juntos partilhando qualquer coisa que achássemos importante e em qualquer lugar. Fundamos, juntos, o GEMAR e entre auditório, sala de concentração e meu quarto criamos uma bela campanha, a qual nos proporcionou um ano e meio de mandato.
  Eu já conhecia Mick do último ano do ensino fundamental e éramos mais íntimos, já Anna conheci no primeiro ano do ensino médio, não demorou muito pra que virassemos muito inseparáveis também. Passamos quase meio ano assim, mas no início do inverno as dicussões começaram, quando eu e Mick tentamos ser mais que apenas amigos. Brigas, muitas brigas entre todos. Então um certo dia ele sumiu; eu e Anna estávamos cada vez mais distantes.
  Na metade deste ano houve um teste de selação para um grupo de teatro em Canoas. Lembro que no dia da apresentação minha dupla desistiu e eu estava arrasada. Foi quando a Anna me convidou para fazer parte de sua esquete (A hora da criança). Ensaiamos ali do lado de fora do local onde iríamos nos apresentar uns 5 min antes de entrarmos. Resultado: aprovados. A partir daí, voltamos a ser o que éramos, amigas inseparáveis.
  Estávamos sempre lembrando do tempo em que andávamos os três (eu, ela e Mick) juntos, falando anedotas, rindo, felizes e de como sentíamos saudade daqueles momentos. Numa bela tarde, voltando do teatro e a aula já no seu segundo período, conversávamos sobre como tudo mudou e como o Mick desapareceu de nossas vidas (?). Quando olhamos para outro lado da rua Mick estava lá e vinha em nossa direção. Lembro de comentarmos que acabávamos de falar nele e ele (rindo, um tanto quanto surpreso) disse que pensava o mesmo e o quanto seria bom nos encontrar assim, ao acaso. Agora éramos os Soñadores novamente.

terça-feira

1 Michael;
   Comemorando a primeira festa da Parada Livre de Canoas, estava eu num barzinho com alguns amigos, animando a festa.
   Nessa mesma semana, alguns dias antes, reencontrei um velho amigo, Michael (Mick), ao acaso. Já faziam uns dois meses desde que brigamos que não nos víamos nem falávamos. Esse acaso aconteceu perto do colégio, mais expecificadamente atravessando a rua. Eu e Anna havíamos matado o primeiro período por causa do teatro (não tenho certeza). Estávamos falando dos Soñadores² e de como sentíamos falta daquele tempinho; olho pra frente e lá está, o integrante que faltava. Motivos da briga e supostos rancores perderam-se em meio um terno abraço, o qual eu já não sentia a meses. Mais tarde, conversando pela internet Mick e eu marcamos de nos encontrar no dia seguinte antes da entrada do colégio para conversarmos. Fui ao seu encontro e lembro que entrei só no segundo período de aula. Porém depois disso, não nos falamos mais... até o dia da festa.
   Estávamos numa rodinha todos dançando, luzes fortes e música alta, quando um dos meus amigos apertou meu braço discretamente e disse 'Não olha agora, mas ele está vindo!'. No início eu realmente não entendi nada. Então olhei para trás e vi o Mick caminhando sinuosamente, brisando ou fingindo procurar por algo. Desvirei rápido com medo de que ele notasse que eu já o havia notado. Entre mil desejos e sensações passando pela minha cabeça em frações de segundos sinto um apertar forte, um abraço. Virei-me a retribui com ardor, foi melhor do que a sensação imaginável. Já nem escutava mais a música e as luzes serviam de refúgio ao que tinha de ser escondido. Lembro de perguntar algo como: 'O que está fazendo aqui? Como você sabia que eu ia estar aqui?', e se não me engano as respostas foram 'Vim te ver' e 'Eu não sabia'. A partir deste abraço outros tantos surgiram. Meus amigos? Já nem os tinha mais em vista.


19 de Janeiro de 2010;


   Darling diary, o dia amanheceu tão lindo! No céu surgia o sol mais caloroso que já vi, combinando exatamente com a música que começou a tocar enquanto atravessava a passarela: The Winds of Change. Foi de uma noite para o dia que a minha vida mudou totalmente. Eu, particularmente, gostei. Agora sim sinto-me 'eu' e não mais o que Aqueles queriam que eu fosse. Estou feliz.
   Confesso que preferia ter ficado deitada até mais tarde na minha cama, tão macia e confortável ao invés de vir para o trabalho (jura, seria inviável). Tempinho depois que cheguei brisei a janela e vi um céu escuro. Logo, barulho de pingos no telhado... chuvaa! Justo quando não trouxe guarda-chuva (como se eu nem gostasse de chuva no cabelo, nas roupas, no rosto); pena. Estou me sentindo pesada hoje, cansada. Devem ser minhas horas de sono que o orkut e o Michael¹ estão consumindo. Estou sem tempo até para os sonhos! Isso não é uma reclamação, até que gosto de durmir tarde por causa de coisas tão... importantes (?) e acordar cedo, antes do dia nascer e vê-lo revelando-se devagarinho.
   Meu mundo, minha vida, minhas escolhas... engraçado como tudo pode mudar assim, numa noite; com apenas uma escolha (ou um beijo). Às vezes penso em tudo que já quis ser, o que quis fazer e vejo o quanto mudei. Diria que talvez seja por causa dele, mas ele ficaria em êxtase total, então prefiro dizer que foi por mim, por tudo o que eu acredito e quero hoje (depressiva, escutando Motel California).